O início do fim…

Publicado: 12 de janeiro de 2017 em Poesias e sentimentos, Confissões

Love Me Like You Do https://g.co/kgs/dNM9Ob

Depois de tantos anos e tentativas no Rio, chegou a hora de partir.

Parir de volta a Recife é doloroso tanto quanto um retrocesso. Voltar as amarras, as provincial idades dá minha terra natal, a violência nua e crua na sua cara..

Voltar a Recife significa que no Rio não consegui encontrar nada além de mim mesmo… Meu eu e meu eu mais escondido.

Fora um momento de descoberta e autodescoberta. Pude analisar as pessoas e como elas são perversas em diversos aspectos: perversas diante do que você é, diante de onde você mora, diante do que você pode trazer de benefícios pra elas, principalmente no campo das relações eros.. 

Aqui jaz um jovem que veio cheio de sonhos, cheio de amor pra dar é que fora esquartejado e desqualificado em suas mais diversas formas.

Sentirei saudades do tanto que sonhei, dos amores que me sonhei viver e que me coisifica, me trataram como nada, mentindo e me fazendo me sentir menos mdo que sou. Dos trabalhos que vesti a camisa e não me desenvolveram como eu esperava ou me prometeram.

Eu cresci através da dor. Da dor tenho me fortalecido e refletido sobre os passos que tenho que dar ao decorrer dos meses anos que seguem.

  Eu acho que nasci  pra ser incompreendido mesmo, no sentido mais literal da palavra. 

NINGUEM consegue me ler, nem entender minhas entrelinhas. Não porque não queira, mas porque sou uma edição rara e em braile de um ser humano ímpar.

Só eu me leio. Ninguém mais…

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Roda viva…

Publicado: 30 de setembro de 2016 em Poesias e sentimentos, Confissões

Ler ouvindo Roda Viva – Chico Buarque


Chegamos a uma idade, depois de uma trajetória, onde sabemos é temos a plena ciência das nossas potencialidades e pontos que precisam ser melhorados.

Não é simples e fácil, não doloroso ver que você não foi escolhido, priorizado, que você foi inviabilizado, que os planos não incluíam você, que você somente deve seguir o fluxo, calado, sem muitos questionamentos. Você passa a vida buscando emancipação e galga patamares para ter voz ativa, ter parte nas decisões de uma coletividade, para ter eco na vida, um retorno. 

E é difícil ver você somente como uma peça qualquer desse jogo loco que é a vida, porque pessoas só olham seu lado espontâneo como algo “bonitinho”, e não imaginam que você tem planos, que quer e busca, como qualquer ser humano normal, evoluir em aspectos amplos nos diversos setores de sua vida: pessoal, profissional, emocional, financeiro etc.

É muito duro ser sempre o que recebe elogios, é convidado a fazer parte, sentar à mesa somente para observar. É duro ter que ser padrão, perfeito, produtivo, reciproco, super feliz e se fazer de cego quando a roda gira te esmagando ou diminuindo. É duro ter que ser sempre o que não pode questionar, opinar, alfinetar (por que não), a fim de provocar mudanças.

E dificil e solitário, muuito solitário não encontrar eco com o seu buraco emocional, causado pela louca percepção que tens diante dos olhos…

O ato de rebeldia contra essa corrente? É se fazer de tolo, é cair na produção, é ser mais amistoso e observador  que o comum, a fim de que a situação seja percebida como o real equívoco que é, é estender a mão ao que entra de gaiato no navio, é ser mais e mais visto, mas sem a pompa que realmente tens… Que o novo se sobressaia e você seja cúmplice desse processo. 

A melhor forma de você sacanear o sistema é sendo o cúmplice dele é ele achando que voce não percebe nada. E assim as rédeas estão sob a sua mão.

Ler ouvindo This is me, This is you -Marit Lorsen

Existem dias que eu sinto uma saudade, uma dor no peitr, mas referente a coisas que não vivi ou histórias que eu sei que existem em algum lugar que não vivi.

Me reporto a casas lindas, com janelas rústicas de madeira, com flores coloridas nos parapeitos. Imagino o eco num sorriso, do meu boy magia e de um filho que ainda não pude resgatar das entranhas do orfanato.

Meu peito e alma gritam por um eco, por um encaixe. A cada sol que irradia e ofusca minha visão: é com essa intensidade que sinto esse passado que não vivi e meu futuro… É algo pueril, romântico e eu, com 33 anos ainda sinto isso, essa pulsação… Difícil explicar… Só sei que é vivo e latente…

Ler ouvindo  acontecimentos.Marina Lima…

Oi gente, depois de muitos meses, retorno essas linhas… Sinto que preciso é devo escrever mais…

Quando chegamos a uma certa idade e fazemos a escolha de moraros sós, precisamos conviver com sentimentos profundos vindos de nós mesmos : egoísmo, solidão, carência, alívio por estar só etc.

Eu tenho picos de solidão que me deixam sem reação. E nao são palavras que mudam do dia dessa vibe.

Tenho uma sensação hoje de nostalgia de coisas que não vivi…

E a cultura do forte, o machismo social me impede de dizer q me sinto as vezes fragil, tenso, sozinho, que também quero colo… Em contrapartida fico vulnerável a cada sorriso, gesto de afeto ou carinho, como um cãozinho querendo atenção do dono. As pessoas querem profundeza… E um dia eu fui profundo. Hoje sou raso e sem curso definido… Queria sentir q sou barragem no meu coração… Sou sangria desatada, hemorragia emocional… Me sangro e me tornifico.mw Murilo pra não acreditar num mundo que se eu descrevesse aqui, me internariam por ser louco e insano… Meu erê é sonhador e prevalece na minha atuação e personagem de adulto…
 

AS COISAS CAMINHARAM…

Publicado: 8 de dezembro de 2015 em Poesias e sentimentos, Confissões

AlbumArt_{A201107B-2819-457B-BE73-3F2F260B6DC4}_LargeLer ouvindo: Encontro – Maria Gadu

 

Ainda estou em processo de crescimento, mas já me sinto mais “adaptado” ao Rio de Janeiro. Depois do Bar, trabalhei em um “call center” (minúsculo mesmo pelo que ele é em sua essência) e hoje trabalho em uma escola de grande porte atendendo alunos e professores.

Moro sozinho em um local funcional na zona norte e possuo fácil acesso ao metrô.

Sinto uma saudade imensa de Recife, ainda mais sabendo que minha mainha está lá, e se sente sozinha…

Sinto que expandi a tal ponto que Recife se tornou muito pequeno para mim.

Suas ruas, cores, cheiros me trazem inúmeras saudades e recordações, mas dentro de mim, voar, ir além é algo inexplicável, é algo latente.

Morar sozinho é um divisor de águas: ao mesmo tempo que me sinto só, tenho acolhido e dialogado com essa solidão  que me ensina tantas coisas. Ouvir o que ela diz é importante e tem sido muito esclarecedora.

Algumas vezes recebo visitas em casa, o que aplaca mais minha solitude e me traz sorrisos e histórias diferentes para poder pensar e repensar os projetos futuros.

Temporada das Flores

Publicado: 23 de abril de 2015 em Poesias e sentimentos, Confissões

Ler ouvindo: TEMPORADA DAS FLORES -LEONI

Faziam dois anos que não escrevia… Resolvi voltar.
Voltar pra mim mesmo, para meus devaneios.
Nesses dois anos mudei radicalmente: mudei de cidade, passei a morar só, revi meus processos e minhas dores.
Passei a identificar sinais antes não identificáveis. Me reconectei com meu lado espiritual, cresci… Tenho crescido…
Reconheço meus limites e meus pontos a serem melhorados.
Aprendi mais a dizer não, e a ser implacável, mas diplomático com quem me subestima.
Aprendi que apesar de tudo, tenho excelentes pessoas ao meu redor e que o Criador e as forças do bem que regem
e governam  Universo conspiram ao meu favor…
No meio de dores, saudades, lembranças, solidão, tristezas reconheci a importância de enxergar além do estado emocional depressivo ou down.
Aprendi que amigos de verdade sempre reaparecem e que nenhum atrito apaga um amor verdadeiro.
Estou de volta!

Ele não merece meu amor

Publicado: 15 de setembro de 2014 em Poesias e sentimentos, Confissões

Nunca menti
Quando chorei dizendo que te amava
O nosso amor foi uma grande trapaça
Dos nossos humanos corações

Brincaste com minha dor
E em outros corpos sorrias e beijavas
Enquanto em casa em lágrimas me debulhava
O samba tocando no radio da vizinha
Falava de dor de amor
Ele não merece meu amor
Tocacava o samba
E pelo whatsaap via ele online
Tendo a certeza que o convite nao era a mim

Ele não merece meu amor
Tocava o samba
E o meu amor foi se coisificando
Não tenha pena de si mesmo
Me falavam meus guias
Ate despacho,macumba eu fazia
Mas o peito masoquista insistia

Ele não merece seu amor
O samba e os guias insistiam
Na. Tentativa de tirar meu coração do mito de Perséfone

E por mais que tocasse o samba
Ou que os guias falassem
Somente tritesteza sentia
Sem força ou coragem prab seguir
Chorar me aliviava

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Novas experiências…

Publicado: 27 de novembro de 2013 em Poesias e sentimentos, Confissões

Depois de dividir com amigos uma casa em uma favela carioca, arrisquei morar só. Ponderei muito essa decisão, mas uma palavra tem martelado em minha cabeça desde que deixei Recife e vim ao Rio: INCONFORMISMO. Essa palavra vem forte… tem vindo forte… Morar na favela é bom. Tem tudo perto: comércio, lojas, condução… Também tem seus problemas: Policiais da UPP fortemente armados, barulho de som dos vizinhos… Confesso que me sentia muito mais seguro na favela… Não pela UPP mas pelos moradores que são “limpeza” com os outros moradores.

Depois de muito tempo parado. Depois de um tempão profundamente reflexivo, voltei a escrever… Tenho pensado no porquê de eu ter vindo ao Rio… Essa reflexão tem me trazido mudanças muito positivas.

Descobri que estou em processo de “adultecimento”. Depois de viver uma adolescência postergada, pois morava e dependia muito de mainha, resovi cortar o cordão umbilical. Não é uma tarefa fácil, pois passar datas comemorativas sem a família, sem a mesa “farta” e as conversas tradicionais de longos anos, é libertador em parte e solitário em outra. Adultecer dói. É como a formação de uma estria em nossa pele. De tanto esticar deixa uma marca ou fissura… Dependendo de como encaramos essa estria, viveremos em função dela ou seguimos adiante… Lidar com as marcas do nosso corpo nem sempre é uma tarefa de fácil assimilação.

Chorei muitos dias. De saudade. De medo. De solidão. Por não saber o dia de amanhã. Por me preocupar em demasia com o futuro sem me deter e fazer o presente.
Chorar alivia… Mas esse choro tem que ser impulso, força transformada para seguir adiante.
Milhares de coisas passam em nossa cabeça quando estamos mais sós. Podemos compreender nossas limitações, sentimentos e medos.
Podemos começar a entender a raíz de muitos desses e outros sentimentos. Com isso combater de forma positivista e propulsora nossas inquietudes para que consigamos caminhar mais alguns passos cotidianamente

Ambição

Publicado: 7 de novembro de 2013 em Poesias e sentimentos, Confissões

Martelo Bigorna – Lenine

http://www.youtube.com/watch?v=YpLKylPfBOA

E a luta tem seguido…

Depois de nove meses aqui no Rio, ainda não consegui emprego na minha área de atuação e nem aquele trampo que me possibilitasse ganhar o suficiente para realizar uma boa parte dos meus sonhos mais simples. Arrisquei e estou morando pra lá da Zona Norte carioca. Aluguei um kitnet em Honório Gurgel, e quando largo do trampo, por volta das 22:00h, chego lá quase as 00:00h. É um sacrifício que tive que fazer.

Viver na mesmice me cansa. Precisava dar um passo maior, arriscar algo mais ousado… Mas confesso que todos esses passos e suas dificuldades me fizeram e me fazem pensar em tudo que (não) conquistei esse tempo todo. A saudade do Recife é forte demais, das minhas coisas, da minha história, dos amigos e amigas, dos meus dogs…

Muitas vezes tenho me sentido meio perdido, sem saber ao certo que ainda faço aqui. Nunca pensei que viver em um lugar tão “cheio de oportunidades” fosse tão difícil sobreviver… Saberia que não seria tudo um mar de rosas, mas tem horas que penso seriamente em regressar. Penso que esse possível regresso pode ser tido para mim mesmo como uma falha, uma ausência de algo que produziu efeito em mim… Pode ser tempo desperdiçado e sonhos que nem sei se sonhei de verdade, porque a essa altura do campeonado, me perdi de muitos deles em prol de algo que desconheço.

Deixei minha vida lá em busca de algo muito maior aqui. Não me conformo com as poucas coisas que tem sido ofertadas pra mim.

Quero mais, preciso de mais… Quero conhecimento e sucesso. Quero escolher o que fazer, o que comer, o que não fazer…

Quero ter vida social, não viver escravo de um salário mínimo.

Quero saber onde tenho errado. Tenho entrado em uma profunda orgia comigo mesmo. Me estupro a fim de poder com a dor, me encontrar. Das dores tenho buscado meus antídotos.

Descobri e tenho descoberto meus egoísmos, meus pontos mais obscuros. Tenho aberto minha caixa de Pandora e tenho me impressionado com as coisas que tem saído delas…

Mas aqui também vi o sol… Vi a paisagem que me faz ter a certeza de que aqui tem algo…

Tento… Não quero sucumbir… Preciso encontrar o que realmente me prenda aqui… O conforto material que tinha em meses anteriores e hoje não mais encontro, me traz profunda angústia… Aprender a viver com pouco… Sim… Mas não quero, não palnejei isso pra mim pra sempre… Gastei anos de estudo, e mereço, necessito colher os doces e grandiosos frutos. Tenho pago meu alto preço…

 

Pátria que me Pariu- Gabriel O Pensador

Morar na favela é muito mais doloroso que simplesmente morar fora da zona urbana mais favorecida. É não ter beleza paisagística ao acordar. É conviver com o frio em cobertas rotas. É lidar com o calor sem ar-condicionado. É ter “medo”de dizer onde se mora com “medo” de ser reduzido à nada sem chance de defesa. É ser confundido à sua simples casa, sem ter chance de mostar o quanto és um palácio em fase de reforma. É acordar cedo e querer ter mais para não ser olhado como menos. É compreender e ter profunda compreensão àquelas pessoas que convivem geograficamente no mesmo lugar que você.
Morar na favela é correr o profundo risco de haver luta de classes e ser reduzido à senzala do amor por não morares na sulística região endeusada pela maioria das produções televisivas.
Morar na favela é vencer a baixa autoestima que tentam nos empurrar de goela abaixo, é buscar oportunidades melhores que as que miseravelmente nos oferecem,é querer romper, “estuprar” as camadas sociais mais elevadas numa tentativa muitas vezes invisibilizada,vã, de ser valorizado e reconhecido. Ser da favela é começar romances sem esperar final feliz, pois a maior parte dos olhos nos veem como objetos sexuais, sem se importar com nossos corações. Numa tentativa… Sucumbimos a lascividade como forma de nos transformarmos em vírus sociais e assim, quem sabe, sermos hospedeiros ideológicos de alguém que nos leve, nos considere com a seriedade de uma epidemia, nesse laboratório social.
Ser da favela é ser mais que gente. É sermos heróis ou heroínas de nossa própria subsistência.
Favela, existência, luta e persistência social!